A Igreja e a COP30

O Brasil acolhe, nos dias 10 a 21 deste mês de novembro, a 30ª Conferência   das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, a chamada “Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas” ou, simplesmente, COP30. Representantes de quase 200 nações estarão em Belém (PA), coração da Amazônia, para discutir os problemas socioambientais do planeta, estabelecer e assumir compromissos concretos para enfrentar e diminuir os impactos das mudanças climáticas e fortalecer estratégias para proteger a vida humana e o meio ambiente.

 

Ativistas, cientistas, ambientalistas e um número sem fim de organizações acompanham a COP 30 e cobram ações concretas para conter as mudanças climáticas. A Igreja no Brasil também se mobiliza para contribuir com a Conferência. Segundo a CNBB, a participação da Igreja nesse processo tem como objetivo “dar testemunho público da fé cristã, promovendo a Ecologia Integral, em defesa da vida e da Casa Comum”. Com isso, ela “expressa sua fidelidade ao Evangelho, seu compromisso com a justiça socioambiental e sua missão de ser voz profética em defesa dos pobres e da criação”.

 

No documento “Um chamado por justiça climática e a Casa Comum”, as Conferências e os Conselhos Episcopais da África, América Latina e Caribe e Ásia, afirmam que a crise climática “é uma realidade urgente, com um aquecimento registrado de 1,55°C em 2024. Não é apenas um problema técnico, mas uma questão existencial, de jus­tiça, dignidade e cuidado com nossa casa comum”.

 

Recordam a ciência que defende a urgência de limitar o aquecimento global a 1,5°C para evitar efeitos catastrófi­cos. “Jamais devemos abandonar essa meta. São o Sul Global e as gerações futuras que já sofrem as consequências”, diz a mensagem. Diante disso, é preciso rejeitar “as falsas soluções, como o capitalismo ‘verde’, a tecnocracia, a natureza transformada em mercadoria e o extrativismo, que perpetuam exploração e injustiça”.

 

Acompanhar eventos como esse é assumir o compromisso que nasce de nossa fé cristã de cuidar da Nossa Casa Comum na defesa da vida em todas as suas expressões. É compreender que o Evangelho da vida e da justiça exige de nós, cada vez mais, um comprometimento pela transformação do mundo a fim de que seja sinal do Reino de Deus entre nós.