Para encerrar o Ano Santo da Graça – o Jubileu da Esperança 2025 – a manhã do dia 28 de dezembro, em Mariana (MG), também celebrado a solenidade em honra à Sagrada Família, foi especial com todos os voluntários que ajudaram, com destreza e com carinho, para que o Jubileu se tornasse realidade na Arquidiocese.
Pela manhã, os voluntários se concentraram no Santuário Nossa Senhora do Carmo e deram início a oração do Santo Terço e cantaram a Consagração à Nossa Senhora.
Após se consagrarem à Maria Santíssima, deu-se início as orações propícias para o tempo de Jubileu, sendo presidida pelo Arcebispo Metropolitano de Mariana, Dom Airton José dos Santos, tendo os concelebrantes, o Reitor da Catedral da Sé, Pe. Geraldo Buziani e o pároco da paróquia São Sebastião, em Raul Soares (MG), Pe. Glauber Lacerda.

Durante as orações, a leitura da Carta de São Paulo aos Romanos 5, 1-5, foi proferida, seguida da explicação sobre o que é o Jubileu, caracterizado pela esperança, a qual ajuda o cristão a reencontrar a confiança necessária em Deus, nas relações interpessoais, na promoção da dignidade humana e no respeito pela criação.
“Confia no Senhor! Sê forte e corajoso, e confia no Senhor (Sl 27,14). Que a força da esperança encha o nosso presente, aguardando com confiança o regresso do Senhor Jesus Cristo, a Quem é devido o louvor e a glória agora e nos séculos futuros” (Spes non confundit, 25).
Em sua reflexão, dom Airton explicou o significado profundo da esperança sob uma perspectiva cristã, baseando-se na Carta de São Paulo aos Romanos. Ele enfatizou que a esperança é um sentimento fundamental que nunca decepciona, e delineia o caminho pelo qual ela é cultivada.

“Nós meditamos durante todo este tempo exatamente este texto da Carta de São Paulo dos Romanos: a esperança. Nós dizemos sempre que a esperança é a última que morre. A esperança é o último sentimento e, por isso, ela que não decepciona, e São Paulo nos diz aqui e nos instrui sobre ela. Portanto, a esperança que nós temos é Cristo e Ele não nos decepciona jamais”.
Com a Cruz do Jubileu erguida – símbolo do Jubileu da Esperança – Dom Airton pôs-se à caminho em direção à Catedral da Sé e, seguindo a Esperança, que é Jesus Cristo, os peregrinos acompanharam-no com suas insígnias de devoção e entoando cânticos de louvores a Deus para lucrar as Indulgências Plenárias.
Diante da porta da Catedral, o Salmo 23 (24) foi recitado e sob o Hino do Jubileu, os peregrinos foram convidados a entrarem na Igreja Mãe de todas as igrejas arquidiocesanas para venerarem a Cruz de Cristo.

Já diante da Cruz e a contemplando, os fiéis professaram a fé em um único Deus Uno e Trino, além de rezarem pelas intenções do Santo Padre, o Papa Leão XIV.
A voluntária Maria da Conceição Fonseca, compartilhou que tem uma caminhada de 40 anos de serviços à Igreja e frisou sua alegria em servir durante todo o ano nos trabalhos do Jubileu.
“Eu me senti muito feliz e para mim foi uma honra trabalhar nesse jubileu, aonde servi tantas pessoas e conduzi outras a servirem também.
Durante o ano de 2025, segundo Pe. Geraldo Buziani, passou-se pela Catedral da Sé mais de 23 mil peregrinos vindos de todas as regiões pastorais da Arquidiocese de Mariana.

Para recebê-los como merecem, Pe. Geraldo formou uma equipe de acerca de 250 voluntários, os quais foram divididos entre equipe do café, da liturgia, da acolhida e do almoço, os quais revezavam durante os trabalhos para que os peregrinos pudessem ser acolhidos de forma humana e solidária, principalmente com água e banheiros à disposição.
Para a voluntária Sônia Maria Alves de Almeida, o voluntariado foi uma experiência enriquecedora e expressou gratidão a Deus pelo momento de aprendizado.
Ela enfatizou ainda que “fazer o bem, servir, traz mais alegria para gente do que ser servido. Também eu aprendi a ser mais família comunitária, na comunidade e o meu sentimento é de muita gratidão a Deus por servir”, enfatizou.

Pe. Geraldo destacou ainda que a realização do Jubileu só foi possível devido a soma de esforços de todos os voluntários e dos funcionários do Centro Arquidiocesano de Pastoral, do Seminário São José e da Cúria Metropolitana e agradece a cada pessoa que ajudou e peregrinou.
“Por cada um que participou da peregrinação, que veio à Mariana, que venerou a Cruz do Jubileu, por cada voluntário que se dedicou, doou o seu tempo, aos padres que por aqui passaram, seminaristas, todos os organismos da Arquidiocese, o Centro de Pastoral, o Seminário São José, a Cúria Metropolitana, os funcionários da Catedral, então, o nosso agradecimento a todos, porque a beleza de tudo isso foi graças a esta comunhão de esforços”, destacou.
Já a voluntária Maria das Dores Mauriz afirmou que saía de casa as cinco horas da manhã para ajudar a servir o café da manhã. Ela descreveu esse período de trabalho como “muito bom”, e afirmou ter aprendido bastante com os peregrinos, os quais vinham de diversos lugares, cada um com suas próprias dificuldades.
Solenidade em honra a Sagrada Família: Jesus, Maria e José
Após a peregrinação, Dom Airton celebrou a Santa Missa, tendo os concelebrantes Pe. Geraldo Buziani, Pe. Glauber Lacerda e o Reitor do Seminário São José, Pe. Sérgio José da Silva.
A celebração, além de ser pela intenção do encerramento do Ano do Jubileu da Esperança 2025 e do Ano Litúrgico, enfatizou também a Sagrada Família de Nazaré: Jesus, Maria e José.
Em sua homilia, Dom Airton centralizou–se na profunda importância e santidade da Sagrada Família, tendo-os como base da vida humana, um projeto divino e a primeira escola de valores.
Além disso, o Prelado lamentou que a família seja “desmoralizada” e atacada por pessoas e leis que ele considera “desonestas” e movidas por interesses próprios, com “coração de pedra”.
A fé cristã, e consequentemente, a família baseada nela, segundo o Arcebispo, enfrenta perseguições constantes, assim como Jesus sofreu rejeição desde o seu nascimento, referindo-se à fuga d’Ele para o Egito e depois a morte na Cruz.
“A família deveria ser protegida, defendida e não descontrolada por leis e por pessoas que acham que podem mandar em tudo, fazer tudo o que vem nas suas cabeças, porque não é do coração. São pessoas que não têm um coração humano, mas têm um coração de pedra, que não olha além disso, não enxerga nada além dos seus próprios interesses”, lamentou.
Ele finalizou suplicando “que a Sagrada Família inspire a todas as nossas famílias, para que elas sejam verdadeiras escolas do Evangelho, lugar onde se aprende a viver a fraternidade, a justiça, o direito e se aprenda a ser gente”.

A Celebração Eucarística finalizou-se com o Canto do Te Deum, uma cantiga de agradecimento a Deus pelo bom êxito dos trabalhos realizados em 2025.
Além do mais, esta cerimônia também faz parte do contexto dos 280 anos de criação da Arquidiocese de Mariana, dos 277 anos da chegada do primeiro Bispo em Mariana e a reinauguração do Órgão Arp Schnitger, o qual voltará a soar durante a liturgia na Catedral da Sé.
Texto e foto: Dacom/Arquidiocese de Mariana