Ouvir o clamor dos pobres

A Igreja passou a celebrar, desde 2017, no 33º Domingo do Tempo Comum, o Dia Mundial dos Pobres. Ele foi criado pelo Papa Francisco por ocasião do “Jubileu das Pessoas Excluídas Socialmente”, no final do Ano Jubilar da Misericórdia (2016), através da Carta Apostólica ‘Misericordia et misera”, publicada em 20 de novembro de 2016.

 

Para este ano, o Papa Leão XIV escreveu uma mensagem com o tema “O Senhor é o refúgio do pobre”. Ele recorda que os pobres são os primeiros a sofrer as consequências de uma sociedade em que cresce o número dos que negam a transcendência e desconsideram a bondade e a misericórdia divinas na construção da justiça pessoal e social.

 

“A ausência de Deus faz com que as pessoas já não se coloquem umas ao lado das outras, num clima de respeito mútuo, mas sim umas acima das outras, num clima de domínio e opressão”, escreve Leão XIV

 

De acordo com o Papa, o grito dos pobres por justiça é “abafado por múltiplas técnicas, cada vez mais dissimuladas, a ponto de silenciar todos os seus esforços para fazer ouvir as suas reivindicações”. Até o ambiente digital se mostra inimigo do pobre quando “radicaliza o preconceito contra eles e aumenta a cortina de indiferença que envolve as suas causas”.

 

Diante disso, respondamos às perguntas que o Papa Leão XIV nos faz: “Somos sinal de um Deus que é refúgio para os pobres? Temos consciência da nossa pobreza e a preferimos à riqueza injusta? Chegamos onde se encontram os pobres, experimentando a sua marginalidade? Ouvimos os seus pensamentos e partilhamos as suas expectativas? Pronunciamos os seus nomes com ternura divina? A nossa caridade reaviva e sustenta neles o desejo de justiça e redenção?”