Começou, nesta segunda-feira, 26, o curso de Teologia Popular oferecido pelo Movimento Evangélico Popular Eclesial (MEPE) e a Escola de Energia Popular (ENEP), na sede da ENEP, na Colônia Vaz de Melo, em Viçosa (MG). Com participação de 70 pessoas vindas de 14 municípios, o curso faz memória da caminhada das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) no Brasil e é assessorado pelo teólogo Irmão Denilson Mariano da Silva, da Congregação Sacramentinos de Nossa Senhora.
“Estamos aqui para fazer memória de nossa caminhada como Igreja”, disse Mariano. “Muitos, hoje, sofrem de ‘Alzheimer eclesial’, isto é, não reconhecem os passos que já demos como Igreja, por isso, dizem que CEBs são coisa de comunista”, observou.
Segundo o teólogo, a história das CEBs começa no contexto do Concílio Vaticano II, convocado pelo Papa João XXIII em 1962 e precedido pelos movimentos bíblico, litúrgico e patrístico. “O Concilio Vaticano chamou a Igreja a uma ‘volta às fontes’ bíblicas e patrísticas. Com isso, resgatou a prática de ler a Palavra de Deus”, explicou.
Mariano recordou também que as Comunidades de Base levaram a Igreja a se aproximar mais do povo. “Ao se aproximar mais do povo, a Igreja começa a sentir sua dor e a perceber suas necessidades, assumindo suas lutas”, sublinhou.

Ele destacou ainda que, nas CEBs, a bíblia, antes de leitura exclusiva da hierarquia, passou a ser refletida também pelos leigos que compreenderam, a partir de sua leitura, a necessidade de unir fé e vida.
“A leitura bíblica precisa ser enraizada na vida do povo. A bíblia tem que ser lida de frente para o povo e não de costas como acontece em alguns grupos. Quando se juntam fé e vida, nascem as comunidades. Isso significa unir oração e ação; unir compromisso com Deus e compromisso com os irmãos”, esclareceu o teólogo.
50 anos de Intereclesiais
O curso de Teologia Popular deste ano estuda a cartilha “Memória, sinodalidade, esperança: 50 anos dos Intereclesiais das CEBs”. Organizada pela coordenação Ampliada das CEBs do Brasil e pelo Setor CEBs da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a cartilha traz 15 encontros, lembrando os 15 encontros de intereclesiais que as CEBs já realizaram.
O primeiro intereclesial foi realizado em 1975, em Vitória (ES), com a participação de 70 pessoas representando dioceses de 12 estados brasileiros. A cartilha retoma reflexões, cantos, orações e movimentos de fé e vida que marcaram cada um dos Intereclesiais que, no ano passado, completaram 50 anos.
O curso de Teologia Popular
Realizado em quatro módulos durante dois anos, o Curso de Teologia Popular nasceu em 2016 por iniciativa do Movimento Evangélico Popular Eclesial (MEPE). “Este é o primeiro módulo do curso deste ano. O segundo módulo será no mês de julho deste ano. O terceiro e quarto módulos estão programados para janeiro e julho de 2027”, explica o vigário paroquial da paróquia São Sebastião, em Ervália (MG), e um dos fundadores do MEPE, padre João Batista Barbosa.
Segundo padre Antônio Claret Fernandes, membro fundador do MEPE, o curso objetiva mostrar que fazer teologia está ao alcance de todo leigo. “Um dos objetivos do curso é nos fazer perceber que toda pessoa que aprende a contemplar e a refletir pode fazer teologia e que esta não é privilégio de quem estuda (nas universidades)”, disse.
Os organizadores
Criado em 2000, o Movimento Evangélico Popular Eclesial (MEPE) é o responsável pelo curso de Teologia Popular. “O MEPE nasceu da intenção de ser uma Igreja mais simples onde prevalece a circularidade e não um esquema piramidal”, explica padre Claret, um dos fundadores do Movimento, juntamento com outros padres e leigos.
Segundo Claret, o MEPE procura valorizar o dia a dia das comunidades e o curso de Teologia Popular é uma das ferramentas para ajudar as lideranças das comunidades. “Um dos objetivos do curso deste ano é aprofundar o sentido de ser comunidade. Por isso o assessor recupera a história das CEBs”, sublinha Claret.
Outro objetivo do curso apontado pelo padre Claret é a oportunidade das lideranças poderem se encontrar “periodicamente e de forma mais continuada”.
Parceira do MEPE na organização do curso, a Escola Nacional de Energia Popular (ENEP) oferece o espaço onde o encontro acontece e ajuda na divulgação do curso. “A ENEP é um processo de aprendizado. Foi criada com a intenção de fortalecer a energia popular que se traduz na organização do povo, na sua conscientização e na valorização da diversidade”, explica Claret, que também ajudou a fundar a Escola.
Fundada em 2015, a ENEP congrega 10 grupos distintos: Movimento Evangélico Popular Eclesial (MEPE); Paróquia São João Batista (PSJB), de Viçosa; Comissão Justiça e Paz (CJP), de Paula Candido; Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento Nacional pela Soberania Popular da Mineração (MAM); Instituto Universo Cidadão (IUC); Terapias Naturais; Escolas Famílias Agrícolas (EFAs), Levante Popular da Juventude e Sindicado dos Trabalhdores do Ensino Sindi-UTE.