A paróquia São João Batista realizou, no último domingo, 27, a 13ª Festa da Trabalhadora e do Trabalhador Rural, na comunidade de Santo Expedito, localizada na localidade do Paiol, zona rural do município de Viçosa (MG). Com o tema “Terra, água e semente: agroecologia no coração da gente”, a festa celebrou a fé e a luta das trabalhadoras e trabalhadores do campo em defesa do meio ambiente e da agroecologia.
Para a realização da festa deste ano, a paróquia contou com assessoria do Centro de Tecnologias Alternativas (CTA), além do apoio e a participação do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural e Sustentável (CMDRS), Escola Nacional de Energia Popular (ENEP) e Secretaria Municipal de Agropecuária de Viçosa e Fraternidade Franciscana Santa Maria dos Anjos (FSMA).
Os participantes da festa começaram a se concentrar às 14h, em frente à Fazenda Paiol, saindo em caminhada às 14h30 para a capela da comunidade onde houve pronunciamentos acerca do tema da festa. Para o transporte das comunidades rurais, foram contratados três ônibus com ajuda da paróquia.
A coordenadora da comunidade de Santo Expedito, Maria das Dores Máximo, falou do seu carinho com a comunidade, local de nascimento e vida de sua família. Destacou que ali famílias trabalham “incansavelmente” na produção de leite, café, milho, feijão e arroz. “Muitos não conseguem nem participar das missas [por causa do trabalho]”, disse.
Jaqueline Ferreira, da Escola Nacional de Energia Popular (ENEP), falou da importância da festa para comemorar “a alegria e a coragem da mulher e do homem do campo” e defendeu o cuidado com o planeta. “Precisamos tratar bem a terra e a água, porque tudo que é bom para a terra e a água, é bom para nós”, pontuou. Explicou que a ENEP tem a missão de “capacitar as pessoas para viver com qualidade”.
Representando o CTA, Indira discorreu sobre o tema da festa, reforçando a importância do cuidado com o Planeta: “A terra é o chão que nos sustenta. Somos feitos da terra. A água é nossa vida e a semente nossa esperança”, sublinhou. “Somos partes da natureza e sua conservação depende dos trabalhadores e trabalhadoras do campo. Por isso, eles precisam ter seus direitos respeitados e ter acesso a políticas públicas”, defendeu.
A jovem Mariana Aparecida dos Santos da Silva, militante do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), descreveu os males que a mineração e as queimadas produzem na natureza. “Como as queimadas, a mineração também destrói vidas. Ela destrói a terra, a água e as sementes; expulsa os animais e o ser humano [de seu habitat]”, disse. Destacou que o MAM luta contra um modelo de exploração de minerais que ameaça a vida: “Em comunidade organizada a mineração não entra”, sublinhou.
Luana, do Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mara (CTA), destacou a Barraca da Ecologia, montada na festa de São João Batista, em junho, e presente também na festa da trabalhadora e do trabalhador rural. Ela motivou as pessoas a serem guardiãs da biodiversidade, levando para casa as sementes distribuídas na barraca. Incentivou que as pessoas plantem essas sementes para serem compartilhadas na próxima festa. Já a presidente do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural e Sustentável (CMDRS), Maria do Carmo, agricultora e estudante da UFV, motivou as pessoas a estudarem e reforçou a importância da festa para animar os que acreditam na agricultura familiar.
A responsável pela Diretoria de Agropecuária e Extensão Rural da Secretaria Municipal de Agropecuária de Viçosa, Vera Lúcia Rodrigues Fialho, lembrou que Viçosa está inserida no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e que, em breve, os agricultores serão convidados a participar da 1ª Conferência Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável, que o município realizará no próximo dia 12 de setembro.
A missa, presidida pelo padre Geraldo e concelebrada pelo padre João Batista Barbosa, teve grande participação das comunidades rurais que prepararam a liturgia, as músicas e os momentos de reflexão sobre o tema da festa. Padre Geraldo relatou a luta dos trabalhadores contra a ambição que destrói a terra, a água e as sementes. Condenou o descarte inadequado do lixo, a falta de saneamento básico, os conflitos por causa terra, a monocultura, as sementes transgênicas e o agrotóxico. “A terra vai perdendo seu papel original para o qual Deus a criou, que é gerar vida”, disse. Após a missa, foi feito o plantio de uma muda de jambo, doada pelo CTA, para marcar a festa na comunidade.
A partilha de caldos, quitandas, café, suco, característica da festa da trabalhadora e do trabalhador rural, foi farta. O destaque ficou por conta do material usado para servir o lanche, com cada participante levando seu “kit romeiro’ (caneca, talher e prato), abolindo os descartáveis. “O combate ao plástico em festas e eventos da paróquia é um dos gestos concretos que escolhemos na defesa do meio ambiente e da ecologia integral”, explicou padre Geraldo.
Veja AQUI as nossas fotos, trabalho de Bruno Alves.