Mulheres celebram seu dia e se fortalecem para a luta

Cerca de 130 mulheres participaram do Encontro das Mulheres, organizado pela Paróquia São João Batista, no último sábado, 14 de março, em comemoração ao Dia Internacional das Mulheres (08 de março).  Segundo o pároco, Padre Geraldo Martins, esse é um dia de celebrar as conquistas e os direitos adquiridos pelas mulheres ao longo da história. Mas também dia de lutar por melhores condição de vida, justiça e dignidade.

“As mulheres conquistaram muitas coisas, mas ainda é preciso combater o racismo, a discriminação, o feminicídio e toda forma de violência. O papel da mulher é essencial na defesa e no cuidado com a vida, mas é preciso continuar lutando para que nenhuma delas tenha que enfrentar uma jornada tripla de trabalho. Também é preciso conscientizar que todos os que moram em uma casa têm obrigação de cuidar para mantê-la”, disse.

O encontro teve início às 7h30 com oração e reflexão na Capela do Santíssimo. Logo depois, as participantes foram acolhidas com um farto e variado café da manhã no Centro de Pastoral, de onde seguiram para o Salão Paroquial para uma roda de conversa com três outras mulheres, convidadas para dialogar sobre a vida e as lutas femininas.

A primeira foi Indyra Giácomo Monteiro, do Centro de Tecnologias Alternativas (CTA) da Zona da Mata, que falou sobre a perspectiva de trabalho e vida da mulher. Ela lembrou a Campanha da Fraternidade de 2026, cujo tema é “Fraternidade e Moradia” e disse que moradia é muito mais do que uma casa, uma construção. Moradia inclui justiça, valorização do trabalho doméstico e divisão justa do trabalho. “Se há violência dentro de casa, a moradia não é digna”, pontuou.

Indyra também sublinhou a importância do papel da mulher no cuidado com o Planeta, a casa-comum e convidou as participantes do evento a se unirem contra toda forma de violência contra a mulher: “A violência que atinge uma mulher atinge a todas”, ressaltou.

A segunda exposição foi uma reflexão bíblica sobre Marta, Maria e Jesus, conduzida por Flávia Ribeiro, da dimensão sócio-política da Arquidiocese de Mariana.  Ao analisar o texto de Lucas 10, 38- 42, Flávia refletiu sobre o trabalho doméstico realizado por Marta e a atitude de contemplação de Maria. “Acima da preocupação com cuidado com a casa, a comida e as roupas, devem estar as preocupações com o Reino de Deus”, destacou.

Flávia destacou a preocupação de Marta em atender as expectativas sociais no que se refere ao trabalho do lar, mas Jesus a convida a privilegiar o que é mais importante. “A gente se cobra demais, esperando validação e aprovação dos outros. As pessoas amam de forma diferente e Maria preferiu se assentar aos pés de Jesus, em uma atitude de escuta, atitude de discípula”, disse.

Flávia explicou que, segundo a tradição judaica da época de Jesus, o assentar-se aos pés do mestre em atitude de discípulo era permitido apenas aos homens. “Mas Maria aproveita seu tempo com Jesus e Ele derruba as práticas de preconceito ao admiti-la como discípula. Jesus não defende a preguiça, a exploração do trabalho do outro, pois sabe que o trabalho também é oração e o cuidado com a casa e a família também é missão. Mas Ele ensina o equilíbrio entre a ação e a contemplação, na vida cristã e pessoal e no cuidado com o outro”, completou.

A terceira fala da manhã foi feita por Ana Flávia Soares Diniz, defensora pública do estado de Minas Gerais, que atua na Casa das Mulheres, em Viçosa, uma rede de atendimento a mulheres vítimas de violência na cidade e região. A casa faz um trabalho coletivo desenvolvido em parceria entre a UFV, a prefeitura de Viçosa e a defensoria pública. Desde 2012, fez mais de 6000 atendimentos, atendendo atualmente cerca de 30 mulheres de Viçosa e região a cada mês, contando com o trabalho de estudantes dos cursos de Direito e Serviço Social da UFV.

Ana Flávia também discorreu sobre a lei Maria da Penha e as diferentes formas de violência (psicológica, física, sexual, patrimonial e moral) sofrida pelas mulheres, principalmente dentro de suas próprias casas. Além disso, informou que o município de Viçosa não tem uma Política Pública definida de combate à violência contra as mulheres.

Abrindo o debate às participantes, Jaqueline Ferreira citou a passagem bíblica de Gênesis que relata que Deus criou a mulher e o homem à sua imagem e semelhança. Por isso “os homens precisam estar junto das mulheres na luta”, disse. Flávia Ribeiro acrescentou que, como gesto concreto da Campanha da Fraternidade, os/as viçosenses deveriam lutar para que Viçosa definisse uma política pública de combate à violência contra a mulher.

Após um elogiado almoço, as mulheres participaram de um momento de arte e cultura, inicialmente, com Maristela Moura Silva Lima (Teinha), professora aposentada do Departamento de Dança da UFV, que realizou uma ciranda, unindo oração e dança. Depois trabalharam a oficina “Mulher em Movimento: Dança, Saúde e Poesia”, com Marlene de Nazaré Moreira (licenciada em Dança e Psicologia) e Bárbara Fernandes de Souza (estudante de dança – UFV).

O encontro foi muito bem avaliado pelas participantes que, além das várias atividades, receberam presentes doados por comerciantes e leigos da paróquia. Sônia Rodrigues, da Comunidade Nossa Senhora do Carmo, relatou que foi uma alegria imensa participar: “algo inexplicável, oportunidade única, tivemos tudo o que precisávamos. Foi muito importante aprender a cuidar de mim, dentro da minha casa, de forma a ter mais alegria e saúde”.

Valquíria, da Paróquia de Fátima disse que o encontro foi divino: “estou levando uma experiência incrível. Parabéns à paróquia pela organização e obrigada pelo carinho conosco”.

Valéria, paroquiana de São João Batista também fez uma avaliação positiva: “Foi tão bom quanto o ano passado. O café da manhã foi maravilhoso. Foi um encontro de alegria e aprendizado maravilhoso. Volto pra casa mais leve, mais feliz e levando muito aprendizado; só tenho a agradecer”, sublinhou.

 

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