
O curso Teologia Popular discutiu, nesta terça-feira, 27, o conceito de teologia e destacou a importância de os leigos e leigas fazerem teologia. Segundo o assessor do curso, Irmão Denilson Mariano da Silva, não existe uma única teologia e toda teologia trata do estudo sobre Deus. No caso cristão, “a teologia ousa falar de Deus e de Sua ação salvífica no mundo”, disse Mariano.
Realizado na Colônia Vaz de Melo, em Viçosa (MG), o curso de Teologia Popular reúne 70 pessoas de 15 municípios e tem como tema central a memória dos 50 anos dos Intereclesiais das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Promovido pelo Movimento Evangélico Popular Eclesial (MEPE) e pela Escola Nacional de Energia Popular (ENEP), o curso é realizado em quatro módulos durante dois anos e tem como público alvo as lideranças das comunidades.
“A teologia na vida do cristão é, antes de tudo, interiorizar o amor de Deus por nós e expressar esta experiência em termos inteligíveis”, explicou o assessor. Ele acrescentou que a teologia é para dar sentido à fé. “A teologia nos ajuda a responder porque somos católicos. Sua base é Jesus e sou católico porque sigo o projeto dele”, sublinhou.
Segundo Mariano, há pelo menos, três modos de fazer teologia: popular, acadêmica e pastoral. “A (t primeira (teologia) é o discurso espontâneo da fé; a segunda é elaborada a partir da Palavra de Deus, em sintonia com a Tradição e a última está vinculada ao trabalho de evangelização e animação da vida em comunidade”, esclareceu.
Os 15 intereclesiais de CEBS
Os cursistas apresentaram as principais ideias dos 15 encontros intereclesiais das CEBs de acordo com a cartilha “Memória, sinodalidade, espera “Memória, sinodalidade, esperança: 50 anos dos encontros intereclesiais das CEBs”, que está sendo estudada no curso.
“Os intereclesiais são marcados pela diversidade de temas que refletem o momento eclesial vivido pela Igreja (na época em que se realizaram) e revelam seus desafios tanto na linha eclesial quanto na linha social e ecológica. Representam também momento de esperança e de somar forças”, avaliou Mariano.
Para o teólogo, os intereclesiais indicam ainda as dificuldades e resistências que as CEBs enfrentaram ao longo de sua caminhada. “Por isso os intereclesiais são sinal e expressão de resistência”, observou. Segundo esclareceu, tudo foi muito marcado pela iluminação bíblica. “A bíblia é o eixo e o caminho da Igreja e das comunidades. Uma volta à bíblia que anima a caminhada”, considerou.
Mariano destacou também a importância de as comunidades fazerem a memória dos intereclesiais. “Um povo que perde a memória está condenado a cometer, no futuro, os mesmos erros do passado. Fazer memória é resgatar a caminhada que nos permite ver de onde viemos e isso nos dá firmeza para identificar para onde precisamos ir à luz do Evangelho, procurando responder aos desafios”, sublinhou.

O assessor alertou para a necessidade de a Igreja dar respostas aos atuais desafios entre os quais a polarização que tem marcado a sociedade brasileira. “Nesse clima de muita polarização, de verdadeiro ódio, uma contribuição das comunidades é não reforçar essa polarização, mas fazer uma caminhada contrária. Podemos pensar diferente, ter posições diferentes, mas seguimos o mesmo Jesus e isso tem que nos unir”, concluiu.
Campanha da Fraternidade
A Campanha da Fraternidade 2026 (CF) também foi tema de estudo no curso de teologia neste segundo dia do encontro. Em grupos, os participantes estudaram o livrinho sobre a CF-2026 elaborado pelo Movimento Boa Nova (Mobon). Neste ano, a CF traz o tema da moradia inspirado no versículo bíblico “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14).
“Ao refletir o tema da moradia, o que nos desafia é a cidade onde a situação da moradia é muito conflitante”, disse Mariano. “A CF é uma campanha de evangelização para atingir o coração dos cristãos e fazer que eles contemplem Cristo nos sofredores. Ela une as exigências da conversão, da oração, do jejum e da esmola”.