No último domingo, 12 , a comunidade de Nossa Senhora Aparecida, no bairro Amoras, em Viçosa, celebrou a Solenidade de sua padroeira. A festa marcou o encerramento da novena iniciada no dia 3 com o tema: “Maria, Mãe da Esperança, ensine-nos a cuidar da criação e fazer tudo o que o seu Filho nos disser”, que contou com a participação animada das demais comunidades da Paróquia São João Batista.
A festa começou com a procissão às 18h, saindo da Comunidade Santa Luzia, no bairro Boa Vista, em direção à Capela de Nossa Senhora Aparecida. Após a chegada, foi celebrada a missa festiva, que reuniu grande número de fiéis. Muitos acompanharam do lado de fora, na praça em frente à capela, onde a celebração foi transmitida em tempo real.
A missa Solene teve como tema de encerramento: “Mãe de Esperança, fique conosco para nada faltar no banquete da vida”. O pároco, padre Geraldo Martins Dias, durante a homilia, destacou o papel de Maria como mediadora e intercessora do povo brasileiro, “tanto quando recorremos a ela como quando ela toma a iniciativa” e vem ao nosso socorro, “como foi visto no Evangelho”.
O padre ressaltou que “Maria é aquela que está atenta, que se antecipa e intercede pela vida do povo, como fez nas Bodas de Caná”. Sua intercessão é, antes de tudo, em favor da vida que traduz o amor de Deus para cada pessoa. “Nossa Senhora Aparecida olha para o povo brasileiro e percebe as muitas ameaças à vida e à dignidade humana, como a pobreza, a desigualdade e o racismo”.
O pároco também lembrou que “o milagre de Cristo conta com a colaboração humana”. Assim como nas Bodas de Caná, em que Jesus contou com o auxílio dos servos para encher as talhas de água, também hoje somos convidados a agir. Ele questionou: “Será que a dor e o sofrimento de tantos irmãos e irmãs não são consequência de nossa omissão em fazer o que Jesus nos pede?”
“A devoção a Maria não pode ser intimista nem individualista, pois a fé nos une ao outro”, destacou o padre. “Na festa de Nossa Senhora Aparecida, somos convidados a reconhecer sua presença em nossas comunidades, intercedendo para que cuidemos da vida onde ela mais está ameaçada”, acrescentou. Ele lembrou as palavras do Papa Francisco que dizia que a vida é uma só, a vida humana e também a vida da natureza, da criação, da nossa casa comum.
Ao invocarmos Maria como intercessora, pedimos que ela nos ajude a ser servidores da vida e da nossa casa comum, promovendo uma verdadeira conversão ecológica. Esse compromisso pode começar com gestos tão simples, como separar o lixo da nossa casa, evitar o uso do plástico, consumir com responsabilidade. “Nossa Senhora é negra, ela é preta, ela se identificou com aqueles que eram escravizados, que foram feridos de morte da sua dignidade, como que clamando para que esse mal nunca mais existisse no mundo”, pontuou ele.
“Ao olhar para Nossa Senhora Negra, pedimos o fim de todo o racismo estrutural” que ainda marca a nossa sociedade. “Maria é intercessora dos últimos, dos pequenos”. Por isso, “invocando hoje a Nossa Senhora Aparecida como intercessora que traz vida, que traz alegria e coragem. Nós queremos pedir a ela que fique conosco, para que jamais falte o vinho do amor e da paz em nossa vida”, e para que cuidemos uns dos outros na construção de um Brasil mais justo, respeitoso e igualitário.
A noite foi encerrada com as barraquinhas, ao som animado do grupo Chamego Bom.
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