
No último domingo, Domingo de Ramos, 29 de março, fiéis da Paróquia São João Batista se reuniram no estacionamento do Hospital São João Batista, às 8h, para dar início às celebrações da Semana Santa.
Após a leitura do Evangelho que narra a entrada de Jesus em Jerusalém, montado em um jumentinho, o pároco, padre Geraldo Martins, abençoou os ramos levados pelos participantes. Em seguida, os fiéis seguiram em procissão até a igreja São João Batista, entoando cânticos e louvores.
Durante a celebração, o sacerdote refletiu sobre a liturgia do Domingo de Ramos, que marca o início da Semana Santa, considerada a mais importante do calendário litúrgico católico, quando se celebra o mistério da salvação da humanidade: a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo.
Padre Geraldo citou o Papa Francisco, que define a liturgia deste dia como, ao mesmo tempo, “doce e amarga, jubilosa e dolorosa”. Segundo o pároco, a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, aclamado pela multidão, expressa a alegria do povo, enquanto a narrativa da Paixão revela a dor e o sofrimento do Cristo.

Em sua homilia, o padre convidou os fiéis a refletirem sobre as atitudes de três personagens centrais do julgamento de Jesus: Pilatos, a multidão e o próprio Cristo. Sobre Pilatos, destacou que, mesmo não encontrando culpa em Jesus, o governador romano cede à pressão popular e transfere a responsabilidade pela condenação, “lavando as mãos” diante da injustiça.
O sacerdote também propôs uma reflexão sobre a realidade atual, apontando que, ainda hoje, muitos assumem a postura de Pilatos ao se omitirem diante das injustiças que atingem inocentes, vítimas de guerras, desigualdades, violência e exclusão social.
Em relação à multidão, padre Geraldo recordou que o mesmo povo que aclamou Jesus com “Hosana ao Filho de Davi” acabou, depois, influenciado por líderes religiosos, optando pela libertação de um criminoso em lugar de um inocente.
Ele alertou para o risco de decisões equivocadas na sociedade contemporânea, frequentemente influenciadas por desinformação e discursos enganosos, inclusive quando revestidos de linguagem religiosa. Nesse sentido, ressaltou a importância do senso crítico e do compromisso com a verdade.
Ao abordar a atitude de Cristo, o pároco destacou o testemunho do silêncio diante das acusações, a vivência do sofrimento físico, moral e espiritual, e a humildade expressa na entrega total. “Jesus não se apega à sua condição divina, mas se rebaixa, tornando-se obediente até a morte de cruz”, afirmou.
Por fim, padre Geraldo ressaltou que a Paixão de Cristo convida os fiéis a viverem o caminho do esvaziamento e da humildade, como expressão de fé e abertura à graça de Deus. “A Paixão de Jesus nos chama a enfrentar, com coragem, as adversidades da vida, na certeza de que Deus caminha sempre conosco”, concluiu.

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