Fiéis são convidados ao serviço no rito do lava-pés

Marcando o início do Tríduo Pascal, a Paróquia São João Batista celebrou a Quinta-feira Santa com missa às 19h, na igreja São João Batista. A celebração foi presidida pelo pároco, padre Geraldo Martins, que destacou a riqueza de significado da liturgia, ao recordar a instituição da Eucaristia, do ministério sacerdotal e do novo mandamento do amor.

Durante a homilia, o sacerdote explicou o sentido da Páscoa judaica, ressaltando que Cristo é a Páscoa definitiva, que liberta a humanidade do pecado e a conduz à vida nova. “Quando Cristo se imola, Ele é o novo Cordeiro. Seu sangue inaugura a nova aliança e a libertação plena”, afirmou.

A partir do Evangelho de São João, padre Geraldo sublinhou que o sentido da Última Ceia se revela plenamente no gesto do lava-pés. “Somos chamados a olhar para a Eucaristia como a expressão máxima do amor de Cristo pela humanidade. Não se contentando em dar a sua vida na cruz, Ele se faz alimento para nós”, disse.

O pároco também ressaltou que a Eucaristia implica compromisso concreto com o serviço ao próximo. “A Eucaristia é serviço, entrega e doação. Por isso, deve sempre nos conduzir ao serviço. Somente quem se dispõe a lavar os pés dos irmãos pode sentar-se à mesa com Cristo. Comungar o seu corpo significa adesão total ao seu projeto de amor, justiça e paz”, pontuou.

Ao refletir sobre o gesto do lava-pés, recordou que, à época de Jesus, essa era uma tarefa reservada aos escravos. “Cristo não se apegou à sua condição divina, mas se fez servo, assumindo a condição humana e servindo a todos”, destacou.

Nesse sentido, enfatizou que o exemplo de Cristo é modelo para o ministério sacerdotal. “Quem comunga o corpo e o sangue de Cristo é chamado a servir. O sacerdote, de modo especial, deve viver o ministério como serviço, assumindo as mesmas causas de Cristo, anunciando a esperança e denunciando tudo o que fere a dignidade humana”, afirmou.

Padre Geraldo acrescentou que todos os fiéis são convidados a viver esse amor concreto, sobretudo junto aos mais vulneráveis. “Somos chamados a lavar os pés dos irmãos, especialmente dos pobres, enfermos, idosos, crianças, pessoas em situação de rua e todos aqueles que são marginalizados pela sociedade”, disse.

O pároco também informou que, no mês de abril, o Papa Leão propõe como intenção de oração os sacerdotes que enfrentam crises, para que encontrem apoio nas comunidades e força para sua recuperação.

Após a reflexão sobre os textos bíblicos que compõem a liturgia do dia, padre Geraldo repetiu o gesto do Cristo, lavando os pés de doze pessoas (representando os apóstolos) que apoiam a luta por moradia digna, Campanha da Fraternidade deste ano.

A vice coordenadora paroquial, Madalena Jacovine, foi uma das pessoas que representou os apóstolos e partilhou a emoção sentida: “Enquanto eu estava no altar, aguardando o padre Geraldo se preparar para lavar os meus pés, me emocionei e senti forte a presença de Jesus. Fiquei pensando em todos que estavam ali representando as famílias que lutam por moradia digna, por um lar onde possam viver com suas famílias”, relatou.

Ao final da celebração, o Santíssimo Sacramento foi conduzido em procissão até a capela, onde permaneceu exposto para adoração até a meia-noite.

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