
Na Sexta-feira Santa, 03/04, dia dedicado à penitência, oração e meditação sobre o sacrifício de Jesus pela humanidade, fiéis da Paróquia São João Batista se reuniram na capela de Nossa Senhora Aparecida, às 6h, para a realização de uma caminhada penitencial e Via-Sacra da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo.
Durante o percurso, os participantes carregaram uma grande cruz, que foi fixada na Vila Portugueses. Ao longo do trajeto, foram meditadas as estações da Via-Sacra, com orações pela conversão dos pecadores. Em cada parada, um texto bíblico foi proclamado e associado ao tema da Campanha da Fraternidade, que defende moradia digna para todos.
Ao final da caminhada, o pároco, padre Geraldo Martins, destacou a realidade de milhões de brasileiros que vivem sem moradia digna, seja pela falta de estrutura adequada ou pela violência presente nos lares.

Às 15h, na igreja São João Batista, foi celebrada a Ação Litúrgica da Paixão e Morte de Cristo, composta pela Liturgia da Palavra, Adoração da Cruz e Comunhão. Na primeira parte da celebração, o pároco destacou que a liturgia da Sexta-feira da Paixão convida os fiéis a mergulharem no mistério de um Deus que entrega a própria vida para salvar a humanidade.
“Devemos olhar para Cristo e reconhecer o Servo que carrega todos os nossos pecados. A caminho do Calvário, Ele se torna irreconhecível como ser humano por causa dos maus-tratos. Ele se deixa torturar e zombar, chegando a ser comparado a um verme. Em tudo, Cristo foi doação”, afirmou.
Ao refletir sobre o Evangelho da crucificação, narrado por São João, o pároco deteve-se nas últimas palavras de Jesus na cruz. A primeira delas foi dirigida a João e Maria: “Eis aí o teu filho” e “Eis aí a tua mãe”. “A João, Jesus confia sua herança mais preciosa, sua mãe. É a plenitude da entrega, e o discípulo, representando toda a humanidade, acolhe Maria”, destacou.

Ao comentar a expressão “Tenho sede”, padre Geraldo explicou que Jesus tem sede de ser amado e de ver seu projeto de vida acolhido pela humanidade. “Jesus tem sede de paz, união, vida e justiça social. Vivemos em um tempo marcado pela indiferença, pelo racismo e preconceito globalizados, mas Cristo nos convida a uma vivência de partilha e amor, em que um cuida do outro”, reforçou.
Sobre o momento final, quando Jesus declara “Tudo está consumado”, o sacerdote ressaltou que a morte de Cristo deve ser compreendida à luz do projeto de Deus. “Deus não enviou Jesus para ser morto, mas para libertar a humanidade do pecado. A morte foi consequência da rejeição ao seu projeto”, disse.
Ao concluir a reflexão, o pároco convidou os fiéis a voltarem o olhar para a realidade atual. “Somos chamados a reconhecer os crucificados de hoje, vítimas de um sistema que coloca o dinheiro no centro e exclui o ser humano. Que a morte de Cristo reacenda em nós a luz da esperança, pois o seu amor nos resgata e liberta. Aguardemos a vitória que vem da ressurreição. Que as cruzes que carregamos também se tornem libertadoras, à semelhança da cruz de Cristo”, concluiu.
Após a homilia, foi realizada a Oração Universal, momento em que a Igreja intercede pela salvação de toda a humanidade. Em seguida, o pároco dirigiu-se à porta central do templo para a apresentação da cruz aos fiéis.
Na segunda parte da celebração, dedicada à Adoração da Cruz, os fiéis se aproximaram para o gesto de veneração, com o beijo da cruz, em sinal de reverência a Cristo crucificado.
A terceira e última parte da Ação Litúrgica foi o rito da Comunhão, com as hóstias consagradas na Quinta-feira Santa. Ao término, o clima de silêncio e recolhimento permanece até o final do Sábado Santo, quando a Igreja celebra a Ressurreição de Cristo.


Confira AQUI as fotos da celebração.
AQUI as fotos da caminhada penitencial.