
A novena em honra a São João Batista, em Viçosa (MG), teve início com uma procissão motorizada que conduziu a imagem peregrina do padroeiro da comunidade São Francisco de Assis, no bairro Vau-Açu, até a Igreja São João Batista, após percorrer todas as comunidades da paróquia desde o dia 31 de maio.
A missa dessa primeira noite foi presidida pelo padre Vanderlei de Sousa, missionário redentorista (C.Ss.R.), natural de Viçosa (MG) e atual diretor da Rádio Aparecida e da Rede Aparecida de Rádio, com sede no Santuário Nacional, em São Paulo. Pela primeira vez presidindo a novena em sua terra natal, o sacerdote destacou a importância do momento como expressão de comunhão e compromisso cristão.
Em sintonia com o tema da noite, os fiéis foram convidados a refletir sobre a necessidade de ouvir o clamor dos pobres, superando preconceitos ideológicos e abrindo o coração à realidade do próximo. As leituras bíblicas propostas ressaltaram o contraste entre a injustiça, o desejo de vingança e o chamado evangélico à superação da violência. No Evangelho, o ensinamento de Jesus sobre “oferecer a outra face” foi apresentado como um convite a romper o ciclo da agressividade e a construir relações baseadas no amor e na reconciliação.
Durante a homilia, padre Vanderlei destacou a postura corajosa de São João Batista, que denunciou as injustiças de seu tempo sem se deixar aprisionar por ideologias, mas orientado pela verdade de Deus. Segundo ele, acolher os pobres exige mais do que gestos pontuais: implica desarmar o coração, abandonar julgamentos e reconhecer a dignidade de cada pessoa.

A reflexão também abordou o perigo do preconceito, entendido como um julgamento prévio que impede a verdadeira compreensão do outro. Esse comportamento, conforme ressaltado, pode se manifestar nas dimensões religiosa, social e étnica, gerando exclusão e desigualdade. A partir do episódio bíblico de Acabe, Nabote e Jezabel, foi destacada ainda a diferença entre admiração e inveja. Enquanto a primeira promove crescimento e comunhão, a segunda gera divisão, destruição e injustiça.
Outro ponto central foi o chamado à vivência concreta da fé. “A Eucaristia é compromisso”, enfatizou o celebrante, ao lembrar que a participação na missa deve conduzir ao testemunho no cotidiano. A fé cristã, nesse sentido, não se reduz a palavras ou práticas isoladas, mas exige coerência de vida, marcada pela solidariedade, partilha e busca da justiça.
Ao retomar o ensinamento do Sermão da Montanha, padre Vanderlei reforçou que a proposta de Jesus vai além do cumprimento de normas: trata-se de uma transformação interior que leva o cristão a não responder à violência com mais violência, mas a agir com misericórdia. Essa atitude, segundo ele, rompe a lógica da destruição e inaugura um caminho de paz.
A celebração também destacou a dimensão comunitária da fé, lembrando que os primeiros cristãos eram conhecidos como “discípulos do caminho”, expressão que revela a vida cristã como um processo contínuo de aprendizado e conversão. Nesse horizonte, a Igreja é chamada a caminhar unida, em espírito de sinodalidade, cuidando especialmente dos mais frágeis.
Encerrando a reflexão, foi reforçado que a construção do Reino de Deus não se dá pela exclusão ou pelo confronto, mas pela prática do amor, da justiça e da partilha. Inspirados por São João Batista, os fiéis foram convidados a assumir, ao longo da novena, um compromisso renovado com a dignidade humana e com a transformação da realidade à luz do Evangelho.
A noite cultural nas barraquinhas, promovida pelas comunidades São Sebastião e Santo Expedito e animada pela Banda Barack do Forró, foi interrompida por forte chuva com ventos e granizo, logo após as 21h, obrigando o público a buscar abrigo na igreja.




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