Terceiro dia da novena de São João motiva o desapego e a confiança em Deus

Com o tema “Jesus, o Messias pobre entre os pobres”, extraído da Exortação Apostólica Dilexi te, do Papa Leão XIV, e com a liturgia preparada pela Comunidade São Judas Tadeu (Barrinha), a Paróquia São João Batista, em Viçosa (MG), celebrou, no dia 17 de junho, o terceiro dia da novena em honra a seu padroeiro. A celebração eucarística foi presidida pelo padre Rogério Gamarano, pároco da Paróquia Divino Espírito Santo, de Divinésia (MG).

Em sua homilia, o sacerdote manifestou alegria em participar da novena e elogiou o tema escolhido, que valoriza os pobres à luz do Evangelho. Segundo ele, Jesus ensina que o verdadeiro amor a Deus se concretiza no serviço aos mais necessitados. “São João Batista também nos aponta caminhos para uma vida autêntica, centrada na fidelidade a Deus”, afirmou.

Padre Rogério recordou o encontro entre Maria e Isabel, destacando o momento em que João Batista, ainda no ventre materno, exulta diante da presença de Jesus. Para o sacerdote, esse episódio revela a proximidade entre os dois desde antes do nascimento, bem como a graça da maternidade vivida por ambas as mulheres.

O padre também aprofundou o sentido da pobreza à luz da fé cristã, tomando como referência a própria vida de Jesus. “Cristo, sendo rico por sua natureza divina, esvaziou-se de si mesmo e se fez um de nós. A pobreza evangélica consiste nesse esvaziamento interior, na confiança total em Deus e na liberdade diante dos bens materiais”, explicou. Ele citou ainda o Sermão da Montanha, ressaltando que “bem-aventurados são os pobres em espírito”, aqueles que se esvaziam de si mesmos para dar espaço para Deus.

Durante a reflexão, o sacerdote alertou para as consequências da ganância humana, que, segundo ele, está na raiz das desigualdades e das situações de vida indigna. “Somos chamados a usar os bens com liberdade, sem nos deixarmos escravizar por eles, e a amar o próximo como a nós mesmos”, disse, recordando ensinamentos bíblicos e a tradição da Igreja.

Padre Rogério também mencionou a continuidade do ensinamento social da Igreja nos pontificados recentes, destacando a preocupação com os pobres, excluídos e discriminados. Ao abordar o simbolismo do coração na Bíblia, lembrou o episódio do Evangelho de João em que, ao ser transpassado, o coração de Jesus faz jorrar sangue e água, sinais da Eucaristia e do Batismo.

A homilia ressaltou ainda que a Igreja deve ser um espaço de acolhida e fraternidade, especialmente para os mais vulneráveis. “A Igreja é o lugar dos bem-aventurados, onde somos chamados a caminhar juntos e a sermos solidários com os que sofrem”, afirmou. Ele recordou a vida simples de Jesus, desde o nascimento na manjedoura até a cruz, como exemplo de humildade e entrega.

Ao refletir sobre o Evangelho, o sacerdote citou as práticas do jejum, da esmola e da oração, enfatizando que devem ser vividas com autenticidade, e não para aparência. “A esmola é necessária em uma sociedade marcada pela injustiça, mas também precisamos trabalhar por um mundo mais fraterno. Já a oração é intimidade com Deus e não deve buscar reconhecimento ou elogios”, destacou.

Encerrando a celebração, padre Rogério convidou os fiéis a viverem com mais compaixão e solidariedade. “Que São João Batista nos ajude a sermos mais solidários e que o Coração de Jesus nos ensine a sermos mais amorosos”, concluiu.

Após a missa e as homenagens ao padroeiro, a programação festiva teve continuidade no átrio da igreja, com barraquinhas organizadas pelas comunidades Santa Teresinha (Vale do Sol) e São José (Nobres). A noite cultural foi animada pela dupla Gislene e Ramon.

Veja AQUI as nossas fotos, gentilmente cedidas pelo fotógrafo Bruno Alves.

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